terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Psicanálise, Behaviorismo e a Educação
O objetivo deste estudo é apresentar algumas contribuições da Psicanálise desenvolvida por Sigmund Freud, e do Behaviorismo, idealizada por Burrhus Skinner, na prática educacional, e a importância destas duas doutrinas para o próprio desenvolvimento da concepção atual de educação e as propostas que vingaram e acabaram sendo incorporadas ao nosso sistema educacional ao longo do século XX. Ambas as doutrinas desenvolveram-se no seio da psicologia e se afirmaram com independência desta. São concepções de homem, mundo, educação e também se dispõem como método e filosofia para a compreensão da psique humana, e da complexidade dos processos mentais que condicionam o homem aos seus inúmeros comportamentos, desejos, emoções, práticas, e toda a subjetividade geral. O texto será construído apresentando cada uma das partes em separado, analisando a concepção de educação destas e seus principais conceitos. Na última parte serão analisados os principais pontos em comum das duas correntes através de uma comparação entre elas.
Psicanálise
A Psicanálise tem como o seu cerne, a sua pedra filosofal, seu eixo central o sexo, o prazer, em suma as forças do inconsciente. Assim o simples ato de ler um livro, assistir a uma aula, ouvir uma música, e o próprio envolvimento afetivo estão intimamente ligados com a sexualidade, ou seja, a busca dos indivíduos em satisfação e realização pessoal.A psicanálise foi desenvolvida pelo judeu austríaco Sigmund Freud, no final do século XIX e ao longo do século XX. Formado em medicina Freud teve as bases de sua ciência estudando os transtornos mentais, notavelmente a histeria, que permitiu a este argumentar que as doenças mentais tinham origem na própria mente dos indivíduos, que incapazes de viverem plenos e poderem ter uma expressão melhor dos seus sentimentos e instintos, a mente manifestava-se através de comportamentos inconscientes e neuroses. Esta ciência foi baseada no próprio estudo dos pacientes e do contato direto de Freud com estes, de suas conversas, técnicas de hipnose e catarse. Mas o método que se tornou definitivo foi o da associação livre, assim cabia ao analista colocar ordem nas reminiscências do paciente de modo que pudesse assim estabelecer uma lógica e assim descobrir o que os atormentava. Freud foi além ao afirmar que a relação analista-analisado é global, pois se estende a todas relações: professor-aluno, chefe-empregado, pai-filho, etc.A mente humana é formada a partir da dinâmica de três forças internas: Id, Ego e Superego. O Id é à força da natureza, o instinto, a herança biológica, o “impulso indomável”; é totalmente inconsciente é egoísta, irracional e o prazer é sua meta. Seu objetivo é a obtenção de uma descarga, chamada de pulsão a satisfação dos instintos. Ela é uma fonte de energia, conhecida como libido e sua carga pode ser canalizada, transformada, alterada, descarregada ou bloqueada O Superego representa as forças da sociedade, da civilização, papel regulador, repressivo, frear os impulsos do Id, colocando barreiras, faz o controle do Ego, e também é chamado de “Ego Ideal”, muito severo, mais severo que a própria imagem dos Pais. E por último o Ego, o “Eu”, a pessoa, o individuo, exigências da realidade, a autoconservação, defesa, controle da realidade, as experiências da própria pessoa. São forças antagônicas, ambas irracionais Superego (herança cultural) e Id (herança biológica); podem alterar a psique do individuo que as libera por meio de transtornos mentais (histeria, depressão, neuroses e psicoses). As Forças do inconsciente são classificadas em dois tipos: o instinto de vida, Eros, é o da conservação, criação, sexo, reprodução, autopreservação; e há também o instinto de morte, Thânatos, a autodestruição, a luta pela vida, as competições, o trabalho, a agressividade, o retorno à matéria inorgânica.A insatisfação ou contrariamento do Id, leva ao quadro de ansiedade, esta uma mistura de medo, apreensão e esperança que altera o comportamento emocional. A mente então se utiliza uma série de formas para diminuir os sentimentos de tensão e insegurança. As formas utilizadas pelo individuo para se ajustar ao grupo são: regressão, repressão, projeção, negação, formação reativa (“falsidade”), racionalização (“dói mais em mim do que em você”), agressão direta (atacar quem o contraria), agressão indireta (descontar nos mais fracos a tensão), sublimação (desenvolvimento social), reação de conversão (sintomas físicos, ou a pessoa “implode”) e identificação (ídolos na juventude).Educação tradicional tida como “racional” foi alicerçada no modelo iluminista. Suas principais características são: descontinuidade (certas coisas são absolutas), seletiva, produção em série, encaixe do individuo na sociedade. Freud faz uma série de criticas, pois os alunos não querem assistir aula, falta de “tesão”, estímulo, como foi dito o instinto é egoísta e não gosta de ser contrariado. Para Freud “ninguém é de ninguém”, é impossível domar o indomável. Assim é necessária a utilização de uma série de meios repressivos: a autoridade, aplicação de provas, a reprovação, a “palmatória” e até mesmo a violência física. Mas mesmo assim é impossível controlar os alunos, pois por meio do pensamento podem estar distantes, e uma série de comportamentos “rebeldes” ou práticas para barrar a autoridade do professor, do pai, da Igreja, etc.A “Era Vitoriana” contemporânea a Freud é marcada pela frivolidade, conservadorismo e autoritarismo; tudo que é fora do padrão é tido como desvio, abominação e deve ser combatido. A repressão à mulher é ainda mais extrema: o tempo todo vigiada pelo pai, pela mãe e por toda sociedade. A mulher deve casar-se virgem, ter apenas um parceiro, este escolhido pelo pai, deve renunciar a todos os prazeres da carne, estes destinados apenas pelos fins reprodutivos; mulher deveria sacrificar-se e viver apenas para a família, o marido e os filhos. No entanto o homem poderia ter uma vida mais liberal, possuir amantes, freqüentar prostíbulos, viver sua sexualidade mais aberta, apesar de também não estar livre da dominação social. O estupro, a fornicação com as enteadas, abuso das jovens, homossexualidade e felação eram também proibidas e estavam sempre vigiadas. A educação era extremamente séria, havia separação entre os sexos: escola só para homens e internatos só para mulheres. É por esse modelo de educação que Freud critica, que é totalmente irracional. Freud é contrário a idéia de que a relação sexual é apenas restrita a perpetuação da espécie. Pelo contrário, o sexo busca primeiro a satisfação, a descarga, e só em segundo plano está restrita a reprodução.A histeria foi o que mais colaborou para o nascimento da psicanálise. Freud descobriu que a repressão excessiva e irracional da Igreja, escola, família e até a própria pessoa que se reprime pelos seus sentimentos que “não pedem licença”, o que gera ansiedade, e a energia libidinal que busca uma descarga. Porém a pessoa põe uma barreira, represa os sentimentos e a pulsão, mas aos poucos a mente vai desenvolvendo um meio de aliviar as tensões, e o inconsciente age. Durante o ataque histérico a pessoa busca o máximo de atenção possível, aí tira a roupa na frente do maior numero de pessoas, desmaia, ou em casos mais graves há o aparecimento de paralisias. Mas o ataque histérico não é intencional: é o próprio inconsciente que age. Histeria vem da palavra grega para útero, pois, acreditava-se que só atacavam mulheres; mas Freud e outros intelectuais começaram a descobrir que também havia homens histéricos o que ajudou a firmar e assim desenvolver a sua teoria psicanalítica.Freud propunha a total liberação da sexualidade (ele mesmo taxado de “pansexual”), de modo a evitar os diversos transtornos mentais, mas logo a “doença da humanidade” se transformou: da histeria passou a ser a depressão. Durante a depressão a pessoa fica sem motivação para viver, há desanimo, falta de confiança na vida e no futuro. Talvez a total liberação ainda não é capaz de resolver os problemas íntimos de cada pessoa, o que as levam a buscar um pai autoritário, assim como um professor, um chefe, uma Igreja, uma instituição, um Estado; pois são incapazes de colocarem limites em si próprios.Analisando os constructos mentais Id, Ego e Superego, pode-se assim olhar a educação de outro modo. O controle da sala e da sociedade não deve mais ser enxergado apenas com autoridade e repressão. Deve-se despertar o interesse dos alunos nos estudos a partir de seus próprios gostos e desejos, assim favorecer o bem estar do individuo, onde possa “viver sua sexualidade”, entendendo aqui sexualidade não em sentido restrito da relação carnal, mas no sentido de Eros: as pessoas realizarem com prazer suas atividades, assim serão mais felizes, mais capazes e mais produtivos; em suma satisfeitos consigo mesmo e com o mundo.Outro aspecto é o da transferência. Por exemplo, a transferência ocorre sem controle, e pode ser negativa ou positiva. Vejamos isso dentro da sala de aula, se em uma determinada criança houver o fenômeno de transferência, ela pode vir a repudiar totalmente uma matéria, um conteúdo, um professor, uma aula ou até mesmo a escola e a educação. Por outro lado uma transferência positiva pode levar a criança a se “apaixonar” (entendo esse conceito em sentido amplo, ou seja, desde o “gostar de uma matéria”, ou até mesmo se apaixonar pelo professor). A carga transferencial é em si irracional, mas possui lógica, e também não tem controle.Como educar o id? O ser humano antes de tudo é um animal, que aos poucos vai se ajustando para viver em sociedade, mas no inicio precisa de meios altamente repressivos (pena de morte, “lei do Talião”, um Estado forte, Igreja inexorável, até mesmo um Deus cruel). A religião, o Estado e a reprovação geral da coletividade vão moldando os indivíduos para que possam viver em comunidade, e isto pode ter aspectos positivos ou negativos. Um aspecto positivo é em relação à criminalidade, o estupro, o homicídio, o abuso sexual de menores vai aos poucos desaparecendo e diminuindo. Por outro lado outras práticas que são pessoais e determinadas por escolhas individuais ainda subsistem como, por exemplo, a irracional defesa de grupos contra o aborto, homossexualidade, prostituição, uso de preservativos, etc. Os meios repressivos educam e acabam subsistindo mesmo quando a sociedade já superou alguns tabus, e hoje em dia algumas defesas da Igreja, de Estados Autoritários ainda têm visões deturpadas sobre drogas, a função da mulher, sexualidade etc.O Superego tem a capacidade de moldar os indivíduos de acordo com a sociedade, pois é inflexível e irracional, e pode levar aos indivíduos que estão na formação da sua individualidade a formar um Ego acrítico e irracional. Mas também tem o lado positivo, pois as constantes frustrações do Ego diante do poder da sociedade vão levando os indivíduos a um melhor envolvimento entre si, e desperta uma série de boas qualidades, que são indispensáveis para se viver em grupo, que são a empatia, o otimismo, a capacidade de ler as emoções nos outros, compaixão, cooperação e o enfrentamento racional das exigências da realidade.O objetivo da educação é o de criar um Ego saudável e critico, conciliando os desejos instintivos do Id e as exigências muitas vezes “cruéis” da sociedade.Talvez a melhor contribuição da psicanálise à educação seja o conceito de Eros. O próprio método se fundamenta na sexualidade, no principio do prazer e do bem-estar e da auto-realização. Assim podemos concluir que o impulso reprodutor, portanto criativo, não deve ser negligenciado ou reprimido pelo educador. Pelo contrário, ele deve atuar de maneira equilibrada para que os cidadãos sejam mais plenos e felizes. Para que toda aula seja igual a uma relação sexual: o principal objetivo é a satisfação pessoal, o prazer e a plenitude de todos.
Behaviorismo
O behaviorismo tem como antecedentes filosóficos o conexionismo e as técnicas de aprendizagem desenvolvidas por Edward Thorndike, o condicionamento de Ivan Pavlov, o mentalismo de John Watson, que teve importância crucial para a psicologia na sua afirmação como ciência autônoma Os behavioristas também defendiam que a psicologia deveria ser apenas ciência do comportamento. Mas foi com os estudos e o behaviorismo radical de Burrhus Skinner que esta encontrou suas bases cientificas e também sua afirmação dentro do seio da psicologia.Skinner é norte-americano, seus estudos na época quase foram classificados de “ficção cientifica”, o behaviorismo tem suas bases no empirismo e é o estudo do comportamento em si (do inglês behavior – comportamento). Deve-se a ele o estabelecimento dos conceitos e da estruturação desse novo campo do saber. Foi a partir da analise dos processos de aprendizagem e do comportamento dos animais, principalmente ratos e pombos, que Skinner pode validar seus estudos.Na concepção behaviorista o conhecimento vem de fora, ou seja, o ser humano é produto do meio, é regulado pela cultura, ele vai desaparecer, pois seu tempo é menor, assim o que sobrevive é a espécie humana e a cultura. O conhecimento é resultado da experiência, baseados em estímulos e repostas. Sendo neste caso os processos fisiológicos são descartados e minimizados, pois são os estímulos externos que vão determinar os comportamentos humanos. Verifica-se aí que o behaviorismo é determinista e pragmático.A educação deve ter um papel controlador e manipulador da aprendizagem, através da previsão e do controle do ambiente para que os humanos e animais se modifiquem. Assim os erros não devem ser punidos, mas sim premiar os acertos. Deve-se através de recompensas, e do controle do meio, modificar os estímulos para modificar então os comportamentos. Pode-se então através da educação e do treinamento mudar o comportamento, este entendido como habilidade compreendida como respostas emitidas. O comportamento ordenado e determinado assim pode-se determinar e antecipar ações. O meio pode ser manipulado. Skinner até propôs em Walden II uma sociedade utópica, utilizando o behaviorismo aplicando-o na educação para que se possa modificar os indivíduos e a sociedade. Nesse livro ele critica a sociedade contemporânea, a poluição, as grandes cidades e a educação manipulada pelos centros decisórios e estabelece uma nova sociedade, auto-suficiente, em que a propriedade coletiva era priorizada.Skinner tece uma série de criticas a educação tradicional que se utiliza o controle aversivo, o que não leva a uma aprendizagem efetiva, e também são incompatíveis com os ideais divulgados como democracia, direitos humanos e religiosos. A educação está então vinculada a grupos que dominam a escola: governo, política e economia. Nas escolas a individualidade é mascarada e substituída pelos valores sociais. A educação, as práticas pedagógicas e o ensino são considerados pelos behavioristas como métodos e tecnologias e devem ser utilizadas pela melhoria dos comportamentos e da vida das pessoas.O ensino deve focalizar as técnicas de aprendizagem e este deve ser relativamente permanente através de prática reforçada. Não há modelos ideais de instrução: a eficiência depende do planejador e professor. O papel do professor é moldar o aluno para chegar aos resultados desejados: pensamento crítico e criatividade. O professor deve ser um engenheiro comportamental de modo que possa aumentar a probabilidade de uma resposta ser obtida. Assim deve o docente utilizar uma tecnologia de ensino, favorecendo assim a individualização e que o maior número possível de alunos atinjam altos níveis de desempenho. Duas avaliações devem então ser feitas: uma inicial e outra final para verificar se o aluno alcançou os objetivos finais.O comportamento é um processo e deve então o técnico em behaviorismo ou engenheiro comportamental buscar e desenvolver técnicas de controle e até estabelecer leis do comportamento e da aprendizagem. O processo de aquisição de conhecimento, ou “comportamentos” deve ser feito através da Lei de Efeito, e o behaviorismo defende que isso só é obtido a partir de conexões, associações, em que todo estímulo se obterá uma resposta. Um dos processos é conhecido como reflexos que podem ser classificados em dois tipos: reflexos propriamente dito ou respondente (que são inatos e indispensáveis a própria existência humana; o estímulo é precedente da resposta: espirro, fome, dilatação das pupilas, etc), e os reflexos condicionados ou operantes (o estímulo é procedente da resposta corresponde a maioria deles, estes são aprendidos com o contato com o meio). Estes dois processos vão agir em dois tipos de aprendizagem ou condicionamento. Mas os comportamentos podem também passar pelo processo de extinção (livrar-se de um comportamento apreendido), recuperação espontânea, diferenciação ou discriminação. Um importante conceito desenvolvido é o de reforço. O reforço pode ser positivo ou negativo. E também pode ser classificado como reforço de razão ou reforço de intervalo, podendo ser fixos ou variáveis. Os reforçadores são de dois tipos: reforçadores primários (alimento, água, sexo, ligados ao papel biológico, e apreendidos por meios dos sentidos: táteis, visual, auditivo), e os reforçadores secundários ou condicionados (estes são a aprovação, desaprovação, promessas, ameaças, o certo e o errado, etc). Há também os reforçadores generalizados: dinheiro (principalmente na atualidade, em que nossa civilização é monetarizada e o dinheiro é indispensável para a vida diária) e a afeição (atenção, aprovação, sorriso, gestos, carinho, dizer frases otimistas “gosto disso”, “ótimo”, “parabéns”, etc). A afeição é um dos mais poderosos meios ou reforçadores para desenvolver ou extinguir comportamentos.Skinner também pode distinguir uma série de processos que levam a aquisição ou perda de comportamentos. Dois tipos de comportamento, por exemplo, são o comportamento supersticioso (uso de talismãs, roupas da “sorte”, etc) e o comportamento de fuga. A evitação é um processo que leva a pessoa a evitar situações negativas. A generalização é o processo pelo qual utilizando um conhecimento pré-existente o aplicamos a todos os que se assemelham a este. Ele, porém favorece a ambigüidade e também até o desenvolvimento de estereótipos. Um exemplo é só porque fomos a uma favela do Rio de Janeiro, generalizamos falando que a cidade é uma grande favela. Um professor pode também fazer perguntas ambíguas e o aluno responder de um modo e o professor achar que ele está brincando A discriminação ou diferenciação é então o inverso da generalização. Assim aproximamos para depois discriminarmos: exemplo uma criança pode chamar um cavalo de cão, e os pais corrigindo-os ele enxerga a diferença entre os dois. Outro é a aproximação, que é a generalização da resposta. Só que o comportamento e as associações não são apenas simples, ele engloba várias cadeias de respostas conhecido como encadeamento e também complexidade. Um outro tipo de processo é a imitação, no qual o individuo utiliza-se de um modelo para copiar ou até refutar algum comportamento.Sobre um dos papéis mais interessantes dentro do behaviorismo é o relacionado as recompensas e punições. A utilização de prêmios: elogios, graus, notas, prestígio, reconhecimento coletivo e social têm um papel positivo, pois leva ao encadeamento de novos estímulos que levarão a outras recompensas diploma, vantagens no futuro profissional, aprovação, ascensão social e monetária, status, prestígio da profissão. O hedonismo explica que toda ação humana se origina no desejo da obtenção do prazer e evidentemente evitar a dor e as experiências negativas. Assim todas as conseqüências vão reforçar os atos que se seguem. Exemplo são os exames para a verificação de um conhecimento, se a pessoa tiver uma experiência passada em que este meio foi usado com fins punitivos, certamente ao saber de um exame já será motivo para geração de ansiedade e conseqüentemente afetará a mente do individuo. A punição assim não tem papel positivo no processo da aprendizagem ou de perda de um comportamento. Ela apenas reforça o punidor, e pode até ter solução em curto prazo, ou seja, é apenas momentânea, pois quando cessa a punição, o comportamento volta a aparecer. A supressão do comportamento, o condicionamento de respostas emocionais gera a ansiedade que interfere no comportamento normal e pode impedir o comportamento de fuga, assim desenvolve na pessoa a culpa, a vergonha, ou o nervosismo em determinadas ocasiões. Deve-se apelar pela substituição do estimulo, além da redução da eficiência e da felicidade.EducaçãoAmbas as correntes, psicanalítica ou behaviorista focalizam a importância do bem-estar, da individualidade, o prazer e a felicidade. As duas concordam que a educação deve ser democrática. Ambos propõem romper com os paradigmas pedagógicos vigentes, Skinner até mesmo foi além propondo uma sociedade ideal, a Walden II, em que os comportamentos saudáveis são o tempo todo estimulados. Freud não concordava com a frivolidade e hipocrisia da sociedade e dos meios coercivos utilizados por ela para dominar os instintos das pessoas. Assim Skinner manifesta-se contra a punição, esta sendo apenas como momentânea e apenas servir ao agressor; e Freud contra a repressão, esta que só leva a infelicidade, e o desencadeamento de doenças, culpa e frustração.O meio externo, o ambiente, os estímulos vindo da natureza estão no cerne do behaviorismo; a parte interna é minimizada e até mesmo colocada de fora; já a psicanálise se preocupa com o meio interno, os processos mentais, os conflitos da psique, as doenças psicossomáticas, e os conflitos pessoais das identidades.Freud afirma que a psicanálise é independente da psicologia, já Skinner e Watson defendem que a psicologia deve ser apenas ciência do comportamento. Freud dá extrema importância de uma mente saudável, da cura e do tratamento de doenças. Skinner coloca que a educação deve ser saudável focalizando o aprendizado, os estímulos e as respostas.Para uma educação saudável na concepção psicanalítica é a melhor estruturação do Ego, ou seja, do individuo, que este possa desenvolver um Ego racional e crítico, que possa controlar tanto os impulsos do Id, e não ficar na passividade que o Superego tenta manipular ou moldar. Skinner focaliza os aspectos dos processos, associações, valorização do individuo, premiação pelos acertos e moldagem do comportamento para que sejam mais bem controlados e acima de tudo eficientes. Concluindo este trabalho pode-se dizer que estas duas correntes que pretendem interpretar a psique humana são totalmente distintas e alicerçadas em pressupostos diferentes. Mas ambas concordam que a educação é importantíssima para a afirmação do individuo, para que possam ou ter um Ego saudável ou um comportamento positivo. Não é a punição, repressão, crueldade e violência que vai ajudar o ser humano a ser melhor e ter uma melhor afirmação de sua individualidade. São as relações afetivas, o “amor”, o carinho, a paciência e entendimento recíproco que vão moldar e criar uma individualidade mais preparada, mais corajosa e acima de tudo mais feliz. O papel do professor é utilizar-se destes métodos para enriquecer o seu contato na relação analista-analisado ou de engenheiro comportamental-aprendiz. O que é mais importante nessa teia de relações é a responsabilidade e eficiência do docente em lidar com a complexidade de que é a humanidade. São os bons valores, o respeito, o lúdico, o Eros, bom planejamento, que importam. O objetivo é desenvolver um aluno critico e criativo, auto-suficiente e equilibrado para que possa lidar com as mais distintas situações da vida de maneira positiva, eficiente e com qualidade.